A busca por cursos de ensino a distância, o EAD, cresceu 59% entre 2020 e 2021 em comparação com os anos anteriores e deve superar o presencial no próximo ano, é o que apontam pesquisas realizadas pela ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) e pelo Ministério da Educação (MEC).

O ensino a distância era o que muitos estudantes precisavam para colocar em prática o plano de concluir o ensino superior ou por qualificação profissional.

Desde o início da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus no Brasil, em março de 2020, a rotina e os hábitos das pessoas sofreram profundas transformações; trabalho e estudos passaram do presencial para o remoto. O isolamento social contribuiu para um aumento na procura por cursos a distância, segundo dados das pesquisas.

A procura acontece devido a flexibilidade de tempo e pelo fator financeiro, que também contribui para a escolha –  as mensalidades neste tipo de modalidade costumam ser de 30% a 50% mais baratas do que nos cursos presenciais. Os estudantes que tem dificuldade de tempo, transporte e mobilidade encontram na Educação a Distância uma modalidade importante. Além do menor valor da mensalidade o aluno pode estudar no conforto da própria residência ou nos intervalos do trabalho. Também é possível economizar com custos de transporte, estacionamento, alimentação e tempo de deslocamento.

De acordo com o MEC, o censo mostra ainda que a tendência pela procura por cursos a distância teve início em 2019 e que ao longo dos anos apresentou um crescimento bastante significativo. A pesquisa mostra ainda que o número de ingressantes em EAD ultrapassou a quantidade de estudantes que iniciaram a graduação presencial, na rede privada. Ao todo, 50,7% (1.559.725) dos alunos que ingressaram em instituições privadas optaram por cursos a distância.

“A pandemia acelerou o que já estava acontecendo anos anteriores, o crescimento do uso da tecnologia como meio de aprendizagem”, afirma o diretor executivo da ABMES, Sólon Caldas.

Oportunidades

A estudante de biomedicina, Débora Oliveira, divide o tempo entre o trabalho e os estudos em uma universidade que fica na Flórida nos Estados Unidos, tudo isso sem sair de casa.

“Eu consigo separar os horários de forma bem organizada, o que é muito importante para o meu estilo de vida. Foi assim que consegui me adaptar às aulas. Apesar da tranquilidade não significa que não existam desafios. Para manter-se firme nos estudos é realmente preciso ter mais foco e disciplina porque dentro da sala de aula você tem ali o professor para esclarecer as dúvidas, no EaD não funciona assim! Você tem as comunidades ali de falar com os professores que são acessíveis, mas exige muito mais de você”, afirma.

O EAD é um caminho sem volta! Um estudo feito pelo Ministério da Educação, em 2019, já apontava uma tendência de crescimento pela procura do ensino à distância. A projeção inicial era para 2023, porém o processo foi acelerado pela pandemia, com as quedas nos índices de emprego e renda da população, assim como as orientações da OMS para o distanciamento social contribuíram para o aumento de ofertas de cursos dessa modalidade.

Composição

De acordo com o MEC, há 2.608 instituições de educação superior no Brasil. Dessas, 88,4% (2.306) são privadas e 302, públicas. O Censo da Educação Superior mostra ainda que a rede privada ofertou 94,9% do total de vagas para graduação, em 2019, enquanto a rede pública disponibilizou 5,1% das oportunidades. Os dados revelam que mais de 6,3 milhões de alunos estudam em instituições particulares, o que significa uma participação de 75,8% do sistema de educação superior. Nesse sentido, a cada quatro estudantes de graduação, três frequentam estabelecimentos de ensino privados.

Ao todo, 40.427 cursos de graduação foram oferecidos, em 2019, entre bacharelados, licenciaturas e cursos superiores em tecnologia. Do total, 88,7% (35.898) são presenciais e 11,3% (4.529), a distância. O bacharelado predomina entre os graus acadêmicos ofertados (60,4%). Vale destacar que bacharelandos optam, em sua maioria, pela modalidade presencial. Já no EaD, o predomínio é de estudantes de licenciatura. Os cursos de bacharelado também continuam concentrando a maioria dos ingressantes da educação superior (57,1%), seguidos pelos tecnológicos (22,7%) e pelos de licenciatura (20,2%). Entre 2018 e 2019, houve um aumento de 3,1% no número de ingressantes no grau de bacharelado. Já os cursos de licenciatura registraram uma alta de 3,5% nesse mesmo período. Por outro lado, destacaram-se os cursos de grau tecnológico, que apresentaram a maior variação positiva, com 14,1% de ingressantes em 2019. Na década (2009 a 2019), o grau tecnológico registrou o maior crescimento percentual: 132,5%.

 

 

Por Franzé de Sousa

 

 

 

compartilhe