Profissionais de Enfermagem foram homenageados por trajetória de destaque e de contribuição para o desenvolvimento da profissão

No momento em que uma crise sanitária sem precedentes revelou o protagonismo até então silencioso da Enfermagem e trouxe novo fôlego para as lutas históricas da categoria, profissionais da maior força da saúde brasileira foram homenageados, nesta quarta-feira (29/09), com a honraria máxima da Enfermagem brasileira. Criado em 2012, o prêmio Anna Nery é concedido pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais aos profissionais que, com trajetórias de comprometimento e dedicação, contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento da profissão, e mostra que a Enfermagem, para além do cuidado, é formada por profissionais humanos, que lutam para garantir a qualidade da assistência à saúde da população brasileira, mesmo nos contextos mais adversos.

A solenidade aconteceu na cidade de São José, na região metropolitana de Florianópolis, e fez parte da programação do 23º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF). Com respeito a todos os protocolos sanitários, incluindo distanciamento social e uso de máscaras, os presentes puderam conhecer e se emocionar com as histórias dos 32  profissionais homenageados, escolhidos após indicação dos Conselhos de Enfermagem.

“O prêmio Anna Nery é uma reverência ao profissionalismo, ao cuidar e ao resistir. Ele transcende a Enfermagem, pois alcança inúmeras vidas que de alguma maneira foram transformadas por cada um dos homenageados desta noite. Continuamos firmes na nobre missão de fazermos da Enfermagem o que ela é em essência, uma profissão que se supera todos os dias”, destacou a presidente do Cofen, Betânia Santos, na abertura da premiação.

São mais de 40 anos envolvendo Dalcirene Gomes e a Enfermagem

A técnica Dalcinere Gomes, homenageada pelo estado de Roraima, ao relembrar sua trajetória, não consegue pensar em momentos marcantes que não incluam a Enfermagem. Desde os 10 anos, acompanhava a mãe que era parteira, auxiliar de Enfermagem e também funcionária da FUNAI no trabalho diário prestando assistência nos territórios indígenas. Aos 13, quando sentiu o chamado da profissão, precisou de autorização policial para iniciar um estágio não remunerado na casa de saúde.

Desde então, são mais de 40 anos dedicados à assistência. “Depois de tanto tempo, percebo que quanto mais ajudo, mais quero ajudar, e entendo que a profissão de Enfermagem não resume o que eu faço, mas define quem eu sou. Gostaria que todos os profissionais estivessem no meu lugar para sentirem o que sinto, e perceberem que vale a pena se dedicar ao cuidado”, declarou emocionada.

Quem foi Anna Nery

Ana Justina Ferreira Néri, ou Ana Néri, consagrou-se na história brasileira durante trabalho voluntário em hospitais, na Guerra do Paraguai. Nascida em 13 de dezembro 1814, na Bahia, casou-se aos 23 anos com o Capitão de Fragata da Marinha Isidoro Antônio Néri. Aos 29 anos, ficou viúva e passou a cuidar dos três filhos. Um formou-se cadete e dois, médicos.

ANA NERI

O falecimento de Ana Néri, em 20 de maio de 1880, no Rio de Janeiro, é ainda uma das efemérides do calendário comemorativo da área da saúde (Diário da Noite)
O falecimento de Ana Néri, em 20 de maio de 1880, no Rio de Janeiro, é ainda uma das efemérides do calendário comemorativo da área da saúde (Diário da Noite)

Viu seus filhos marcharem rumo aos campos de batalha da Guerra e, sem pestanejar, solicitou permissão ao Presidente da Província da Bahia para acompanhar os combatentes, oferecendo serviços de ajuda aos feridos em combate:“…que ofereça os meus serviços em qualquer dos hospitais do Rio Grande do Sul, onde se façam precisos, com o que satisfarei ao mesmo tempo os impulsos de mãe e os deveres de humanidade para com aqueles ora sacrificam suas vidas pela honra e brios nacionais…” (A Noite, http://memoria.bn.br/DocReader/348970_05/4981).

Seu destino seriam as cidades paraguaias mais próximas à contenda. Atuou em um cenário de trabalho voluntário praticamente sem recursos materiais e humanos, em condições precárias de higiene e de socorro às vítimas. Entretanto, seu trabalho foi incansável. Montou com seus próprios recursos, em Assunção, um hospital de campanha. Ali veria, morto em combate, um de seus filhos (Diário Carioca). A perda de seu filho, entretanto, não abalou o acolhimento generoso aos feridos, o que lhe rendeu o apelido de “Mãe dos Brasileiros”, como era carinhosamente chamada nos hospitais por onde passou em Salto, Corrientes, Assunção, Humaitá.

Precursora da Cruz Vermelha no Brasil, Ana Néri foi condecorada com a Medalha de Prata Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de Primeira Classe, dentre outras homenagens, por sua atuação voluntária(Imprensa Popular). Por suas ações e abnegação em socorrer ao próximo, é reverenciada como uma das grandes mulheres da História Brasileira, a pioneira da Enfermagem no Brasil (Diário Carioca).

Em 1923, foi criada a primeira escola de Enfermagem, intitulada Ana Néri, em sua homenagem. Em 1947, encontramos notícias sobre a formatura das primeiras Enfermeiras Brasileiras, para a Cruz Vermelha (Gazeta de Notícia). Como reconhecimento, e celebração pela memória dessa importante personagem brasileira, o dia do Enfermeiro (12 de maio) foi instituído em 1938.

Aquela visão quase angelical da enfermeira que cuida voluntária e ternamente dos seus enfermos, hoje é contrastada com o cotidiano real vivido por esses profissionais essenciais que, infelizmente, carecem dos devidos investimentos e valorização, tanto dos poderes públicos quanto da sociedade (Jornal do Brasil). Atualmente, no Brasil, essas mulheres e homens que atuam incansavelmente na área da saúde merecem, cada vez mais, nosso reconhecimento. Estão na linha de frente, confrontados por doenças que exigem atenção, cuidado redobrado, profissionalismo, conhecimento científico e, acima de tudo, cooperação de toda uma estrutura da área da Saúde. (Raquel França dos Santos Ferreira)

O falecimento de Ana Néri, em 20 de maio de 1880, no Rio de Janeiro, é ainda uma das efemérides do calendário comemorativo da área da saúde (Diário da Noite).

Fonte: cofen.gov.br / https://www.bn.gov.br/

 

compartilhe